Esta semana continuaremos a descrever como conseguimos eleger deputados para o parlamento holandês, sendo o primeiro partido político no mundo cujo modo de pensar e agir não dá primazia aos interesses humanos.
Sabendo que um “partido para os animais” não seria levado a sério aos olhos de muitos (“estes querem com certeza tricotar uma camisola para cada pombo”), assegurámos o apoio de um grande número de personalidades que estavam dispostas a integrar as nossas listas de candidatos em lugares não elegíveis, o que garantia que a inteligenzia achava útil que o nosso partido fosse representado no parlamento.
Escritores holandeses famosos, como Maarten ‘t Hart, Maarten Biesheuvel, Harry Mulisch, Mensje van Keulen e Jan Wolkers, apoiaram o Partido para os Animais e, além deles, vários humoristas, cientistas, cantores, produtores e escritores de televisão.
O que tornou claro que o Partido para os Animais não era um partido de gente ridícula, dedicada exclusivamente a uma causa, mas um partido que grandes personalidades consideravam importante.
Metade da nossa lista de candidatos foi deste modo preenchida por holandeses famosos.
Além disso escrevemos a protectores de animais, vegetarianos e defensores do ambiente que dispunham de meios pedindo-lhes uma contribuição para a nossa campanha eleitoral. Desta forma começaram a entrar fundos para a campanha, que alcançaram contribuições consideráveis do fabricante de mosquiteiros que vive na Tailândia, Nicolaas G. Pierson, do empresário de internet Jan Peter Cruiming, e de outros benfeitores que preferiram manter-se anónimos.
Conseguimos assim financiar uma campanha eleitoral séria, com anúncios nos jornais de grande circulação, na rádio, com holandeses famosos (que aliás participaram gratuitamente), cartazes nas paragens de autocarro e nas estações. Arranjámos até o maior cartaz político da história da Holanda, com 120 m² junto a uma das auto-estradas mais frequentadas.
Caro, mas bastante notável pela suas enormes proporções. Várias sondagens indicavam que elegeríamos 1 a 2 deputados no parlamento, e os outros partidos políticos começaram a ficar nervosos com o facto que tantos eleitores estarem dispostos, ao que tudo indicava, a pôr de lado por um tempo os seus interesses pessoais imediatos e dar prioridade aos animais, natureza, e meio-ambiente.
Como reacção, os partidos já representados no parlamento passaram a dar muito mais atenção ao bem-estar dos animais e prometeram durante as suas campanhas verdadeiros paraísos para os animais.
É claro que os eleitores ouviram todas essas belas promessas com bastantes reticências, mas nós ficámos muito satisfeitos por o nosso sucesso ter posto o tema dos direitos dos animais tão claramente na agenda dos outros partidos.
É esse também o desafio para quem queira fundar um partido para os animais no seu próprio país.
Na Holanda o quorum de representação é relativamente baixo. (70.000 votos são suficientes para eleger um deputado ao parlamento), mas mesmo em países em que seja necessário um maior número de votos para esse efeito, a participação de um partido dos animais terá grande impacto e fará pensar os outros partidos.
Portanto, mesmo que não haja possibilidade de eleger um deputado ao parlamento, a simples participação nas eleições pode ser muito útil. Em muitos países terão direito a tempo de antena na rádio e televisão, e poderão abanar as políticas instaladas.
Sobretudo se tornarem claro que como partido apoiam resoluções que abrangem todo o planeta e não políticas de uma só causa, como a maioria dos partidos políticos, que não vão mais longe do que defender o homem e o seu dinheiro, e esquecem os interesses a longo prazo de gerações futuras de homens e animais e a preservação do habitat.
Para os outros partidos, aquilo que consideramos mais precioso (ar, àgua e terra limpos, biodiversidade, segurança alimentar e compaixão), são apenas “trocos”, e é uma insolência que sejam justamente eles a reclamar que actuam com uma perspectiva alargada!
Na noite das eleições de 22 de Novembro de 2006 havia uma enorme excitação na sala que tínhamos alugado numa sociedade de artistas em Amsterdão. Reagiriam realmente os eleitores com tanto entusiasmo ao Partido para os Animais como indicavam as sondagens?
Claro que sim! Ficámos próximo dos 3 deputados no parlamento e uma sondagem eleitoral revelou que os nossos apoiantes tinham as mais diversas origens. Da esquerda, mas também dos sociais-liberais que estavam habituados a votar à direita. Os direitos dos animais provaram representar um interesse suprapartidário para além do previsto, pelo que pessoas de diferentes quadrantes e ideologias políticas, doutrinas, e dos mais variados extractos sociais, se reconheceram no tema superior de defender os interesses dos mais fracos. Escrevemos história, o que não é só extremamente excitante, mas também nos confere uma grande responsabilidade.
Conhecíamos o que Gandhi tinha previsto em relação a qualquer movimento emancipatório: primeiro hão de ignorar-te, depois ridicularizar-te, depois combater-te, e só depois vencerás. E em cada fase seguinte do desenvolvimento teríamos que passar novamente por todas essas etapas. E assim foi. Na próxima semana direi mais sobre este tema!
Até logo…












