A semana passada foi uma semana especialmente preenchida. Com o subir da tensão à volta da crise económica, a tensão política noutras àreas também aumentou. Nesses momentos é que se vê como a nossa participação na política holandesa é importante. Nós formamos o “balancing vote” entre os blocos políticos à esquerda e à direita do espectro político. Os dois mantêem-se em equilíbrio pelo que, frequentemente, a decisão depende de nós, e isso é uma posição interessante.
Houve por exemplo um impasse sobre a aquisição do Joint Strike Fighter, um novo caça americano, para o exército holandês. Completamente inútil e representando um investimento de 6 mil milhões de euros que podíamos gastar de melhor forma.
Mas os partidos do governo querem que a aquisição dos aviões de teste avance de qualquer modo, e a votação sobre essa matéria ameaçava acabar com um número igual de prós e contras. D66 [Democratas66], os sociais-liberais no parlamento holandês, apelaram então ao Partido para os Animais para que votasse contra os caças o que nos deu uma vitória provisória: o dossier foi reenviado.
Na Holanda tem havido também discussões acesas sobre a invasão do Iraque e a investigação sobre o papel dos serviços secretos holandeses e estrangeiros. Sobre estes assuntos também nos ouviram.
E pusemos o dedo na ferida depois do governo holandês ter organizado uma conferência sobre a guerra no Afeganistão, com a presença do presidente Karzai, Ban ki-Moon e Hillary Clinton, acerca de liberdade e democracia. Não foi dita uma palavra sobre a lei da violação que o presidente Karzai prepara no seu próprio país, que impede as mulheres de estudar, procurar emprego ou ir ao médico sem autorização dos seus maridos. Até violações dentro do casamento deixariam de constituir um crime!
Nestas matérias coloquei ao ministro dos negócios estrangeiros da Holanda as seguintes questões:
1. Tem conhecimento dos artigos ‘Hamid Karzai signs law legalising rape in marriage’ de 31 de Março de 2009?
2. É verdade que o presidente Karzai prepara uma lei que prevê que a violação dentro do casamento deixe de constituir um crime, limite a liberdade de movimento das mulheres seriamente e lhes negue o direito de procurar emprego sem autorização do marido, ou de estudar ou consultar um médico sem autorização do marido?
3. Estava a par deste desenvolvimento antes de 31 de Março? Se não estava, como é que a Holanda pode fazer parte duma 'missão de auxílio' sem tal informação essencial? Se estava, confrontou o presidente Karzai sobre tal intenção?
4. É verdade que Hillary Clinton confrontou o presidente Karzai sobre este assunto? Se assim foi, estava esta mais bem informada do que o governo holandês neste ponto, ou dará ela mais importância aos direitos das mulheres do que o governo holandês?
5. Está disposto a tirar consequências da aplicação desta lei relativamente à missão de auxílio e contribuição para o desenvolvimento? Se não está, porquê? Se está, em que prazo e de que modo?
6. De que forma legitima o apoio ao governo Karzai, quando este, na área dos direitos das mulheres, não se diferencia dos Taliban?
7. Está disposto a comunicar ao governo afegão que a violação dos direitos das mulheres é inaceitável para o governo holandês e que esta não ficará sem consequências? Se não está, porque não? Se está, em que prazo e de que modo?
E não estivemos ocupados com os animais toda esta semana? Estivemos sim; Denunciámos o abuso de animais por parte de artistas, falámos com uma delegação da Abkázia sobre a possível criação dum partido para os animais e protestámos contra a anestesia dos porcos com CO2. Resumindo, foi uma semana em cheio.
Até prá semana!












